Domingo, 13 de Janeiro de 2008

pOR rIOS nUNCA dANTES nAVEGADOS

 

Foi ela que mo ofereceu.

"Então e tu leste o prefácio do livro ao menos, antes do escolheres" ?

Que  caraças! Como consegue um homem ser cruel, ao fazer juízo de valor sobre a perspicácia ou acerto de quem o conhece como ninguém.

Fizera-lhe aquela  observação após a leitura das primeiras páginas deste segundo romance de Miguel Sousa Tavares, à altura encontrando-me num estado capaz de largar um longo bocejo, com o tanto enrolar em discrições iniciais, num típico impulso   macho de impaciência em despachar logo a coisa, desprezando os preliminares, e  embrenhar-me conhecendo logo o enredo de "Rio das Flores",  romance envolto em anunciados e acessos pontos de vista de uma era conturbada, quer dentro como fora de fronteiras.

Mas depressa teria de engolir em seco a triste observação que fizera pois não lhe passaria despercebido  meu ávido interesse na leitura do que estava destinado a ser livro de mesa de cabeceira nas próximas semanas. 

Curiosamente, seriam várias as vezes durante a leitura , em que o autor  MST me  apelaria aos mesmos "impulsos machos" , pois, para um "sem papas na língua" como  ele,  irrita  quando o homem insiste em engonhar num "nem fode , nem sai de cima", em que teima aqui e ali entrar nos vários episódios relatados das (longas) 627 Paginas. Vale-lhe que, subtraída essa situação, serve e bem de penitencia, a categoria com que, para mim, escreve este romance que balança entre a ficção e a realidade histórica vivida no nosso pais durante os primeiros cerca de 30 anos de República Portuguesa , acrescentando ao cenário passagens por Espanha e Brasil, numa história fundamentada e de pesquisa.

É um estilo algo "esquisito" de escrever, o dele. Entre outras características,  fá-lo ora de trás para a frente, ora de frente para trás. Nada de novo, se não mo fizesse no decorrer da mesma sequência, sem sair do mesmo acontecimento historiado.

Pois que fiquem as criticas literárias para os entendidos na matéria, e que as há em abundância por aí. Para mim, este contemporâneo da geração rasca, os também chamados filhos do 25 de Abril , este "Rio das Flores", foi um Rio nunca antes navegado, com tudo o que  isso pode acarretar. Resta-me por isso olhar com apreço para a imagem que no inicio coloco, e para o significado que a mesma me  reflecte . Foi registada  no preciso momento em que deixou de ter a função ilustrada, a de cabeceira, e passou a ter a função de prateleira.

Alinhado em seu novo pouso,  ali ficará a espera de ser puxado. A marca do separador, essa, na página 583 , #2, porque a quem teve o acerto de mo escolher, no acerto dessas palavras  tenho de a rever.

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foto: do Mr .

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MrCosmos às 23:43
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