Terça-feira, 14 de Abril de 2009

u-lA-lÁ, mON dIEU!

 


Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

pORQUE vALE (sEM dÚVIDA) a pENA pENSAR nISTO!

Como é que um punhado de emigrantes vindos do minúsculo Portugal [...] conseguiu ocupar e fazer sua metade do continente Sul Americano ? "

 

Já vos tenho dito como começa a ser por aqui um fenómeno, a forma como facilmente o amigo PortoMaravilha tem o "condão" de me, ou nos, por a reflectir em temas facilmente despercebidos no dia à dia, que ficaram algures esquecidos, que estão adormecidos.

Mais uma vez, e porque vale de facto a pena pensar nisto, é  com todo o gosto que passo a palavra ao PortoMaravilha.

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Aspectos da história de Portugal vistos por um grande escritor Norte  Americano


Foi na década oitenta que tomei conhecimento da obra de John Dos Passos. Foi, em primeiro, por obrigação : Ter que trabalhar a técnica do “ponto-contraponto”. Foi, em seguida, por prazer. Graças aos meus mestres, descobri um grande escritor : “Manhattan Transfer” continua a ser um dos meus livros de cabeceira.
O filósofo , Jean Paul Sartre, escreveu, nos seus ensaios (“Situations”, Tomo 1) o seguinte : “Considero Dos Passos o melhor escritor do nosso tempo”.


Quando se gosta de um autor, há tendência para ler toda a sua obra. Foi, assim, que me deparei com o livro : “Brazil on the move”. Fiquei curioso ! Não se tratava dum romance, mas de um ensaio.
 

Não possuo (infelizmente) a edição Norte-America. Tenho, em contrapartida, a tradução Francesa (“Le Brésil en Marche” , p.8-9 , Gallimard, 1964) que reproduz o seguinte e que passo a transcrever .
Na medida em que não se trata de poesia ou de literatura, creio que a tradução para o Português, via o Francês, não alterará o conteúdo do texto.

Passo a citar :

“Como é que um punhado de emigrantes vindos do minúsculo Portugal – que durante o grande período da colonização tinha, no máximo, dois milhões de almas – conseguiu ocupar e fazer sua metade do continente Sul Americano ? E porque é que os Brasileiros , ao que parece, são o povo mais avançado na via duma civilização original ?"


Descobriu-se há pouco : A sociedade colonial organizada pelos Portugueses na América, na África e no Oriente apresenta um aspecto um pouco diferente. “Corrompida e impotente”, eis o que nos ensinavam na escola. Os Portugueses tiveram e continuam a ter má fama.

Talvez a continuidade da sua tolerância no campo racial, religioso e político que, aparece sem cessar na sua história, esteja em relação com o seu sucesso como colonizadores. É preciso não esquecer que, na altura, as tendências culturais , em Portugal, eram muito mais
diversificadas que nas outras nações colonizadoras da Europa. “

E, não sei porquê, acho que este texto dá continuidade aos escritos de Garcia de Resende :


“Vemos no reino meter,

Tantos cativos crescer,
E irem-se os naturais
Que se assim for, serão mais,
Eles que nós, a meu ver “

( Garcia de Resende, “Miscellanea”, Chronica dos salerosos, e insignes
feitos del rey dom Ivoam II de gloriosa memoria, Coimbra, 1798, p.363 ).


Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

"dÉJÀ vU" (?)

O caro amigo PortoMaravilha, docente do ensino francês,  teve a amabilidade de me enviar um texto no qual reflete sobre um relatório da OCDE relativo a politicas educativas pouco (ou nada) conhecido por cá apesar da sua antiguidade, e sobre o qual inclusive se deu ao trabalho de traduzir um trecho. Mais abaixo são fornecidos os links da versão francesa bem como da inglesa em pdf do dito relatório da OCDE, o qual só mesmo lendo para crer... 

Cabe-me pois mais uma vez mostrar-me grato por tal partilha de reflexões com que o PortoMaravilha faz o obséquio de  brindar o bLOGUE gERAÇÂO, bem como , claro, convidar-vos a sua leitura, estimulando-vos igualmente à vossa reflexão.

E depois digam-me lá - sendo alguns dos exemplos e vivência do PortoMaravilha alusivos à realidade francesa - que outro tema  dariam vocês a este post? É que eu ainda pensei, pensei, mas não me ocorreu mais nenhum...

 

Tem a palavra, PortoMaravilha.

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A OCDE programou a liquidição do ensino público em 1996  !

Em todos os países europeus o Serviço Público de Educação é alvo de restrições orçamentais desde, pelo menos, uma quinzena de anos . Tais restrições tocam todos os postos de trabalho   da instituição escolar pública ( cozinheiros, mestres de obras, bibliotecários, professores...).

A estas restrições acrescentam-se aspectos que se encadeiam numa lógica desconcertante.

Vejamos, esquematicamente :

1.O Saber não interessa !


Os alunos passam de ano sem terem o mínimo de conhecimentos necessários. Os diplomas são atribuidos não em função dum real saber, mas em função de percentagens de vagas decididas por um “obscuro” cume hierarquico. O respeito destas percentagens serve para justificar o bom funcionamento da instituição.

2. As Condições de Trabalho não interessam !

O ritmo fisiológico dos alunos não é respeitado. Ignora-se o funcionamento psicológico dos estudantes. O escalonamento das férias com zonas escolares diferentes (  caso da França ) obedece aos interesses da indústria turística e das suas componentes.
O silêncio não existe. Estuda-se no alarido dos gritos do recreio, do corredor e, por vezes, da própria aula.

3. A Regra  não interessa !

Os professores já não têm qualquer autoridade. Misturam-se alunos aplicados com delinquentes. Chama-se, recorrendo a eufemismos que adormecem a opinião, “incivilidade” às agressões diárias, esquecendo que estas revelam da deliquência. Os conselhos  de disciplina vão desaparecendo. A violência instala-se. E quando um professor é vítima duma tentativa de assassinato ( França, Outubro 2008 ), a sua hierarquia nega  qualquer responsabilidade.

4. O Professor não interessa !

A administração dá o exemplo. Viola as regras, recusando qualquer protecção estatutária daquele que é atacado no exercício das suas funções. Podem ,assim, circular vídeos na net, com toda a impunidade, que mostram uma professora no chão a ser pontapeada por dois ou três dos seus alunos . E, quando os  professores se opõem a estas derivas, a administração tudo faz para calá-los. É que se são espancados é porque não recorrem à pedagogia adequada.

5. A estratégia da OCDE interessa !

Podemos ser ingénuos, mas sabemos ler. O relatório da ocde de 1996 intitulado “La faisabilité politique de l’ajustement” é esclarecedor.

Como se sabe a palavra “ajustement” ( ajustamento, disposição) é uma espécie de dogma para todos os governos e entidades patronais. Esta palavra é um eufemismo que só os iniciados podem compreender. Ajustamento significa destruição. E, por sua vez, “fazebilidade política” (“faisibilité politique”) significa prevenção de revoltas susceptíveis de verem o dia por causa dessa destruição.

O extracto da página 30 do relatório referido é eloquente. O relatório pode ser consultado na internet, em pdf, quer em versão Francesa quer em versão Inglesa: “ocde, cahier de politique économique nº 13, 1996 “

Passo a traduzir. Se nem sempre traduzir é fácil, penso que a tradução está fiel.

“... Se se diminui as despesas de funcionamento há que velar por não diminuir a  quantidade de serviço, sob pena de que a qualidade baixe. Pode-se reduzir, por exemplo, os créditos para o funcionamento das escolas ou das universidades, mas seria perigoso de restringir o número de alunos ou de estudantes. As famílias reagirão violentamente a uma recusa de inscrição dos seus filhos, mas não a uma baixa gradual da qualidade do ensino e a escola pode, progressiva e pontualmente, obter uma contribuição das famílias ou suprimir tal  actividade. Isto faz-se, passo a passo, numa escola , mas não na  escola vizinha, de maneira a evitar um descontentamento geral da população. “

E , evidentemente, os responsáveis da ocde afirmam que o artigo é da responsabilidade do redactor, Christian Morrisson ( conselheiro da ocde ), e não da instuição-ocde.

Que futuro para amanhã ?


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E Viva o Porto !

Observação : Tomei conhecimento deste relatório da ocde, graças ao texto de Paul Villach , publicado no nº 584 da publicação “Respublica”.

 

:::: digam lá, déjà vu?

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

pORTOMARAVILHA eM fRASES sOLTAS

O PortoMaravilha, mais um "amigo virtual" que estas lides da blogosfera me deram gosto em conhecer, tem o condão como visitante e comentador do gERAÇÃO, de me por com os seus escritos, não raras vezes, em estado de "ignição" para o que acaba por resultar sempre em alguma reflexão.  Do seu último comentário aqui deixado recentemente, deixem-me recolher e aqui apresentar algumas dessas frases / opiniões, assim, de forma solta, pois que estou em crer que concordarão comigo de que merecem tal destaque.

 

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De Portomaravilha a 3 de Dezembro de 2008 às 23:06

"Testa-se hoje nas Américas do Sul o que poderá angariar ainda mais lucros na Europa.
A periferia é um tubo de ensaio !
A problemática da nacionalização ou da distribuição privada da água está na ordem do dia. O combate actual da Câmara Municipal de Paris contra os grandes grupos privados Franceses ( Suez, etc.) atesta que a denreia rara do século XXI será a água.
Houve já tentativas de tentar fazer pagar a água da chuva aos camponeses Bolivianos. Perante as revoltas, por agora as multinacionais ( sobretudo Francesas) recuaram. Por quanto tempo ?


A ideologia nunca desapareceu. Marx está cada vez mais actual. Só que foram precisos 50 anos para entender que a tradução exacta do manifesto nunca foi "Manifesto do Partido Comunista" mas sim "Manifesto do Comunismo".

O que não é igual !


A "Pronuncia do Norte" tem razão no que escreve quanto à blog-esfera . Por exemplo, o não Francês à "Europa" nasceu dum simples blog. Não foi um não racista ou anti-europeu . Eu votei não ! Foi um não que reivindica uma Europa feita no respeito das conquistas socias ( Educação, Saúde, Reforma, ...)Francesas após a segunda guerra. Um alinhamento pelo cume não pelo baixo, para todos.
E, efectivamente, graças à blog-esfera houve um debate fantástico. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Existe uma grande tentativa para esvaziar a ideologia do debate. Não só em França como em Portugal.

 

Acho que o principal responsável pela situação actual de Portugal foi Cavaco Silva. Portugal, na altura, recebeu imenso da Europa e não houve projectos. A área do turismo é reveladora ( e há também exemplos para a indústria / o dinheirinho chegou para a formação dos empregados : Qual quê não precisam. Fica no meu bolso. Passados 20 anos a empresa faliu ! ) Lembro-me perfeitamente das campanhas em favor do turismo na época de Cavaco. Praia e sol ! Ora, na altura a Espanha já desenvolvia um turismo cultural e, além disso, os médicos do mundo inteiro, punham em guarda contra o perigo da exposição ao sol.
Não é por acaso que os nossos ancestrais, cheios de sabedoria, sempre se protegeram do sol !

É preciso ser-se ignorante para vender só sol e praia em Portugal. Eu acho que Portugal tem um património de sonho. Mas é claro : Ou se pensa a curto prazo ou se pensa a longo prazo ! E quem vendeu só sol e praia deve estar bem à rasca. É que Marrocos, Tunìsia... oferecem sol e praia a preços muito mais baratos e com melhores prestações. E não deixa de ser interessante ver imigrantes Portugueses a irem cada vez mais para as praias e sol do outro lado do Mediterrâneo, maribando-se para a terrinha dos antepassados. Eles que foram educados no culto da praia e do sol, escolhem a melhor prestação.

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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

cOISAS dO cAMANDRO: dO mAIO de 68 a gERAÇÃO rASCA

Onde é que estavas no 25 de Abril? Esta é uma pergunta que não raras vezes me soa "frustrante". É que nem pelo 25 de Abril, e muito menos no Maio de 68. Esses foram acontecimentos que hoje recebemos como certos e intensos, mas que não vivi.

Pudera, andaria "pelas costa de Africa" a espera do ano de 1975 para conhecer a luz do dia. No entanto, se há assuntos que me agradam de ler e conhecer, que me suscitam o interesse, são momentos e discrições históricas como essas que marcaram épocas e consequentemente, os dias da actualidade, ou seja, também o meu quotidiano, a forma como vivênciamos o nosso dia a dia.

Este post vem a proposito de alguns textos que um amigo de outras campanhas (leia-se clubisticas) o PortoMaravilha me tem deixado por aqui na caixa de comentários, e que me despertaram bastante interesse. Tudo porque este companheiro que em  1972, com 14 anos, foi parar a França,  faz parte há mais de 25 anos do corpo docente do Ministério Francês da Educação, e  acompanha estudantes que pretendem aceder à prestigiada "Ecole des Hautes Etudes de Sciences Politiques", como tal e pelo conhecimento que tem, sucede que deu-me a conhecer um movimento politico que desconhecia.

E desperta-me o interesse, porque, diz-me ele, que  encontrou «semelhanças de atitude» entre aquele movimento, os Situacionistas, e a posição tomada pela denominada de Geração Rasca. Não consegui na altura entender a comparação, hoje comprendo onde aquele raciocínio queria chegar.

Têm sido argumentos e opiniões, as do PortoMaravilha, pertinentes de mais para se ficarem apenas pela caixa de comentários, pelo que hoje partilho convosco alguns trechos de seus textos, que me têm suscitado alguma reflexão.

 

[Para contextualizar, aplico texto entre parenteses recto que é meu, e as imagens]

 

" Os Situacionistas não são mais ( esquematizando) que a continuação do Surrealismo. [descrição de surrealismo pela wikipédia]
Tiveram importância no pensamento de maio 68 ( não como revendicação) mas como um olhar sobre a "mixité" (homem-mulher) e, também, na visão da "sociedade espectáculo". Penso que alguns dos seus
textos continuam bem válidos. Sobretudo no que diz respeito ao uso da câmera / a sociedade espectáculo.

 [...]

Eis pois a definição que a Wikipédia, coisa para turista consultar, nunca dará a propósito dos Situacionistas :
Para uma melhor despoluição , o jornal de Setembro de 1969 ( Directeur : Debord / Rédaction : B.P. 307-03 Paris ) da Internacional Situacionista publica em letras gordas a definição dada pelo dicionário Larousse.
Passo a traduzir : Situacionista : adj . e nome. Diz-se de um grupo de estudantes que preconizam uma acção eficaz contra a situação social que favorece a geração no poder.
A internacional Situacionista criticará esta definição sem grande convição teórica. Mas não deixa de ser verdade que neste número de Setembro de 69, o último aliás, a definição, citada acima , aperece em letras gordas
.

[A "geração rasca" de estudantes em 68, Paris]

 

Se artisticamente o situationisme é uma espécie de continuação do surrealismo ( que contrariarmente ao que se dá a pensar também foi um movimento político), no que diz respeito ao modo de vida o situationisme abre para a psicanálise e para a sexualidade. E é aí que me parece existir do modo mais profundo uma relação com a geração rasca.

[...]

 


Uma das componentes de Maio 68, foi a vitória pela e da "mixitée" 
[mistura]. Se vieres dar um passeio a França, verás que inúmeras escolas continuam a ter lá no frontão "Ecole de filles" / "Ecole de garçons". [Escola de raparigas / Escola de rapazes]
Para mim, a maior conquista de Maio foi o direito à "mixitée". E não deixa de ser curioso que a direita actual Francesa, encabeçada por Sarkozy, comece a pôr em causa esta conquista. Querem pôr fim à "mixitée" !

Tomei conhecimento da geração rasca com a 1ª pag do diário "Público" da altura.

A foto que mostra o menino a mostrar o sexo releva um mal estar. Acho que foi por isso que se baptizou rasca. Por causa da amostragem do sexo.

 

[A "geração rasca" de estudantes em 93, Lisboa]


Eu acho que o 25 de Abril deu tudo à nova geração, exceptuando a liberdade sexual. Em Portugal, a sexualidade continua a ser assunto tabú. Daí talvez essa revolta que me pareceu mais sexual que política propriamente dito. Mas o campo sexual também é político.
O 25 de Abril foi feito por mulheres. Foram elas quem ocuparam as ruas e praças para reclamar o regresso dos filhos, maridos...do ultramar. Foi uma mulher quem realizou, quer se goste ou não, "Capitães de Abril". O nº de divórcios dá o berro (antes era proibido) logo após o 25 de Abril !

Depois a chapa voltou."

:::: e o rasco sou eu?

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